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Jovens negros do Rio e da Bahia recebem bolsa para estudar no exterior

ResumoO Fundo Baobá lançou o programa Black STEM, que concede bolsas de R$ 42 mil a três jovens negros do Rio de Janeiro e da Bahia para graduação no exterior. A iniciativa cobre permanência, mentorias e apoio psicológico, beneficiando Caio, Quezia e João Vitor. O programa visa ampliar o acesso de estudantes negros a universidades internacionais.

O Fundo Baobá criou o Black STEM para levar três estudantes negros do Rio e da Bahia à graduação no exterior. Bolsa de R$ 42 mil cobre permanência, com mentorias e apoio psicológico. Conheça as histórias de Caio, Quezia e João Vitor.

Augusto Ferraz
por Augusto FerrazRepórter de educação e tecnologia · 10 de agosto de 2026
4 min de leitura
Jovens negros do Rio e da Bahia recebem bolsa para estudar no exterior

Jovens negros do Rio e da Bahia recebem bolsa para estudar no exterior

O Fundo Baobá, instituição social que atua pela equidade racial, selecionou três estudantes negros do Rio de Janeiro e da Bahia para receber bolsa de R$ 42 mil e cursar graduação no exterior. Os embarques ocorrem em setembro. O programa Black STEM, focado em Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, cobre moradia, transporte, alimentação e material acadêmico, além de oferecer mentorias e acompanhamento psicológico.

Bolsa de R$ 42 mil cobre permanência e rede de apoio no exterior

A bolsa de R$ 42 mil é destinada à permanência dos estudantes em outro país. O valor cobre custos básicos como moradia, transporte, alimentação e material acadêmico. O programa também oferece mentorias de carreira, workshops, conexões com lideranças negras e acompanhamento psicológico.

O diretor-executivo do Fundo Baobá, Giovanni Harvey, explica que a rede de apoio é essencial para a permanência. "Você tem aluno que saiu da Bahia, de Fortaleza e para longe da família. Há solidão e questões de saúde mental, que aparecem bastante entre os mais jovens. Não é somente dar o dinheiro. Tem que oferecer rede de apoio, de suporte."

Caio Ramos: superação na pandemia e escolha por Dubai

Caio Ramos, 23 anos, morador de Irajá, no Rio de Janeiro, escolheu estudar em Didi, após se encantar por Dubai em uma viagem em família. A trajetória até a aprovação foi marcada por desafios. Durante a pandemia de covid-19, em 2020, ficou um ano inteiro sem aulas, porque a escola não tinha estrutura para ensino online. No mesmo ano, o pai começou a apresentar sintomas de Alzheimer e Parkinson, e com o avanço das doenças, precisou parar de trabalhar.

Sem recursos para contratar cuidador e diante do alto custo dos remédios, Caio começou a trabalhar em 2022 para sustentar a casa. A rotina atrasou a entrada no ensino superior, mas não o impediu de buscar alternativas internacionais. "Estar no Black STEM é uma vitória minha, mas eu sei também que é uma vitória das pessoas que vão se identificar comigo e que passam pelas mesmas coisas", destaca.

Quezia Fernanda: do Instituto Federal à Espanha

Quezia Fernanda, 19 anos, nasceu em Rio das Ostras, também no Rio de Janeiro. Cursou ensino médio técnico em automação industrial no Instituto Federal Fluminense. A informação sobre a bolsa chegou por uma parceria entre o instituto e a Faculdade de Jaén, na Espanha. Em bate-papo com a jornalista Adriana Couto, contou a motivação para cursar Engenharia Elétrica.

"Vindo de Macaé, capital do petróleo no Brasil, sei bem como a área da energia é fundamental. Vi na engenharia elétrica possibilidade de iniciar um estudo e futuramente quero poder me aprofundar na área sustentável", explicou.

João Vitor: do Recôncavo Baiano à Northwestern University

João Vitor, de Cruz das Almas, na Bahia, cresceu no Recôncavo Baiano, convivendo com lideranças negras e comunidades quilombolas. Desde a infância, teve facilidade com computação, afinidade consolidada no curso de informática do Instituto Federal. A escolha pela Northwestern University veio ao descobrir que a instituição contava com Jean, estudante brasileiro de origem quilombola.

"Por ter tanta proximidade com as comunidades quilombolas, tenho um carinho enorme por aquelas lideranças que me ajudaram, que me aconselharam e que abriram as portas para mim", ressalta.

O que o programa Black STEM oferece além do dinheiro

A iniciativa do Fundo Baobá busca criar condições para despertar em pessoas negras a crença de que é possível ocupar espaços de destaque. O programa combina suporte financeiro com acompanhamento contínuo, incluindo mentorias de carreira e suporte psicológico. A permanência no exterior, segundo Giovanni Harvey, exige mais que recursos: exige rede de apoio.

Para educadores que acompanham estudantes negros em busca de oportunidades internacionais, a lição do Black STEM é clara: bolsa é condição necessária, mas não suficiente. Sem suporte emocional e acadêmico, o risco de evasão aumenta. A pergunta que fica é como replicar esse modelo em outras instituições e regiões.

Perguntas Frequentes

Quem criou o programa Black STEM?

O Fundo Baobá, instituição social que promove a equidade racial, criou o programa para selecionar estudantes negros com bolsa de R$ 42 mil para graduação no exterior.

Quais estudantes foram selecionados?

Caio Ramos, do Rio de Janeiro; Quezia Fernanda, de Rio das Ostras; e João Vitor, da Bahia. Eles embarcam em setembro para Didi, Jaén e Northwestern University, respectivamente.

O que a bolsa de R$ 42 mil cobre?

Cobre moradia, transporte, alimentação e material acadêmico. O programa também oferece mentorias, workshops, conexões com lideranças negras e acompanhamento psicológico.

Como o programa apoia a saúde mental dos estudantes?

Oferece acompanhamento psicológico e rede de apoio, reconhecendo a solidão e os desafios de saúde mental entre jovens longe da família.

Qual o objetivo do Fundo Baobá com o Black STEM?

Criar condições para que pessoas negras acreditem que é possível alcançar e ocupar espaços de destaque, com suporte financeiro e emocional.

Augusto Ferraz

Augusto Ferraz

Repórter de educação e tecnologia

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