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Mais de 54% dos graduandos abandonam curso para cuidar dos filhos: dados e reflexões

ResumoMais de 54% dos graduandos brasileiros abandonam o curso superior para cuidar dos filhos, conforme dados recentes. O fenômeno expõe a ausência de políticas de acolhimento nas universidades e o impacto da maternidade na trajetória acadêmica. A falta de suporte institucional agrava a evasão, especialmente entre mulheres.

Mais da metade dos graduandos brasileiros já abandonou o curso superior para cuidar dos filhos, segundo dados recentes. O fenômeno revela a falta de políticas de acolhimento nas universidades e o peso da maternidade na trajetória acadêmica. Neste artigo, analisamos os números e d

Juliana Espíndola
por Juliana EspíndolaColunista de literatura infantojuvenil · 14 de julho de 2026
4 min de leitura
Mais de 54% dos graduandos abandonam curso para cuidar dos filhos: dados e reflexões

Cena de leitura com criança: numa tarde de sábado, enquanto uma mãe universitária tenta revisar o artigo científico, seu filho de dois anos insiste em mostrar o livro de bichos. Ela fecha o notebook, pega o livro e, por alguns minutos, o mundo da graduação fica suspenso. Essa cena se repete em milhares de lares brasileiros, e, para muitos, o livro vence o trabalho acadêmico. Mais de 54% dos graduandos já abandonaram o curso para cuidar dos filhos, segundo levantamento do Instituto Semesp. O número revela uma crise silenciosa nas universidades brasileiras: a dificuldade de conciliar a maternidade (e a paternidade) com a vida acadêmica.

Por que mais da metade dos graduandos abandona o curso por causa dos filhos?

O dado, coletado pelo Instituto Semesp em 2025, mostra que 54% dos estudantes que já trancaram ou abandonaram a graduação apontaram o cuidado com os filhos como motivo principal. Entre as mulheres, o percentual sobe para 62%. A pesquisa ouviu 2.500 graduandos de instituições públicas e privadas de todo o Brasil.

A falta de creches universitárias é um dos fatores mais citados. Segundo o Censo da Educação Superior (INEP, 2023), apenas 12% das universidades brasileiras oferecem creche ou berçário para filhos de estudantes. Isso significa que, para 88% dos graduandos com filhos pequenos, a alternativa é contar com familiares, vizinhos ou simplesmente interromper os estudos.

Maternidade e vida acadêmica: o peso da jornada dupla

Para muitas mães universitárias, a rotina começa antes do sol nascer. Acordar às 5h, preparar a criança, deixar na creche (quando há), correr para a faculdade, voltar para casa, cuidar da casa e ainda tentar estudar à noite. Não é à toa que o abandono é tão alto.

Dados do IBGE mostram que, em 2024, as mulheres dedicavam, em média, 21,4 horas semanais a cuidados de pessoas e afazeres domésticos, contra 11,1 horas dos homens. Essa diferença se reflete na universidade: as mães estudantes têm menos tempo para se dedicar aos estudos, o que aumenta o risco de reprovação e desistência.

O papel das políticas de acolhimento nas instituições

Algumas universidades já implementam iniciativas para reter esses estudantes. A Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, oferece auxílio-creche para alunos de baixa renda desde 2022. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) criou o programa "Mães na Universidade", com horários flexíveis e salas de amamentação.

No entanto, essas ações ainda são exceção. O Fórum Nacional de Pró-Reitores de Graduação (ForGrad) estima que menos de 5% das instituições de ensino superior possuem políticas específicas para estudantes com filhos.

Como conciliar maternidade e graduação? Caminhos possíveis

Se você é mãe ou pai universitário, algumas estratégias podem ajudar:

  1. Busque instituições que ofereçam creche ou auxílio-creche. Consulte o site da faculdade ou a assistência estudantil.
  2. Verifique se há programas de bolsa-permanência para estudantes com filhos. Algumas universidades federais têm editais específicos.
  3. Converse com coordenadores e professores sobre a possibilidade de horários flexíveis ou entrega de trabalhos adaptada.
  4. Forme grupos de apoio com outros pais e mães universitários. Trocar experiências reduz o isolamento.
  5. Considere o ensino a distância (EAD) como alternativa temporária. Cursos EAD costumam ter maior flexibilidade de horários.

O que dizem os especialistas sobre o tema

Segundo a socióloga Helena Hirata, pesquisadora da USP, "a maternidade ainda é vista como um obstáculo individual, não como uma questão institucional. Enquanto as universidades não criarem políticas de acolhimento, a evasão continuará alta".

A pedagoga e pesquisadora em educação infantil, Maria Malta Campos, complementa: "A creche é um direito da criança, mas também é um direito da mãe estudante. Sem ela, a igualdade de oportunidades no ensino superior é uma ficção".

Perguntas Frequentes

Quantos graduandos abandonam o curso para cuidar dos filhos?

Mais de 54%, segundo pesquisa do Instituto Semesp (2025). Entre as mulheres, o índice chega a 62%.

Quais são os principais motivos para o abandono?

A falta de creches nas universidades, a sobrecarga de tarefas domésticas e a ausência de políticas de acolhimento são os fatores mais citados.

Existe alguma lei que proteja mães universitárias?

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) garante o direito à licença-maternidade para estudantes, mas a regulamentação varia entre instituições. Em 2024, o Projeto de Lei 1.234/2024 propõe a obrigatoriedade de creches em todas as universidades públicas, mas ainda tramita no Congresso.

Como encontrar universidades que oferecem creche?

Consulte o site do INEP (Censo da Educação Superior) ou entre em contato com a assistência estudantil da instituição desejada.

O que fazer se eu precisar trancar o curso por causa dos filhos?

Primeiro, converse com a coordenação do curso e a assistência estudantil. Muitas universidades oferecem trancamento especial por maternidade, sem perda de vagas. Depois, busque redes de apoio como grupos de mães universitárias no Facebook ou WhatsApp.

Ler junto cria laço. Deixe a criança escolher também. Numa tarde em que o cansaço aperta, pegar um livro e sentar com o filho pode ser o respiro que faltava, e o lembrete de que, mesmo na correria da graduação, o afeto não precisa ser adiado.

Juliana Espíndola

Juliana Espíndola

Colunista de literatura infantojuvenil

Contadora de histórias e mediadora de leitura, forma pequenos leitores com afeto.

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